T

O que eu sou pra ti?
Por que se despede de mim?
Por que sai por aí
E se esquece de cá?
Eu sou nada
Sou uma lembrança turva
Uma curva
Obtusa
E ainda assim
Não se lembra de mim
Não me nota aqui
Não sorri
Finge indiferença
Finge que me odeia
Mas olhando assim
Eu me vejo em você
Porque há uma parecência
Uma casualidade
Semelhança
Toda uma afinidade
Que nos faz iguais
Nos parelha
E maltrata
Quando sinto você
Olhando torto
Fazendo bico
Troça
Me despindo todo
Na frente de estranhos
Sinto que não podemos
Não há como
Mesmo que eu queria
Salvação
E me dói inteiro
Eu me machuco todo
A minha alma grita
E os meus olhos sangram
Por não tê-lo
Não beijá-lo
E não poder acarinhar
Teu pé
As mãos
...
Por não poder
Roubar-lhe o chão
E te pedir quietinho
Que fique comigo
Me dê amor
Que esqueça as besteiras
Que falamos juntos
Sem respirarmos
Ou darmos uma chance
de não dizê-las

5 comentários:

  1. Ai Má. Uau. Que arrebatamento isso. Bjs

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Tão singelo, tão doce, tão fofinho. Queria escrever poemas como você.

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  4. Amigo, tu escreve isso num momento em que to super sensível, me acabo de chorar. rs
    Amei amei amei amei.

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  5. Também tenho me machucado toda, há quem diga que à toa...
    Mas pelo que sinto me destruo ainda mais.

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